TOC, TOC, TOC...



" Conhece a história do cosmonauta russo?"

"O Cosmonauta. O primeiro homem a ir para o espaço, certo?  Os russos ganharam dos americanos. Ele vai numa espaço nave gigante..., mas a parte habitável dela é pequena." 

"O cosmonauta está lá e tem uma janelinha. Por ela, ele vê a curvatura da Terra pela primeira vez. Ele foi o primeiro homem a ver o planeta de onde ele é."

[RESENHA - HQ] "V" de VINGANÇA, de ALAN MOORE e DAVID LLOYD

Ano: 1988
Editora: Panini Comics
Páginas: 267
Nota: 5/5* 


     "Igualdade, justiça e liberdade são mais que palavras; são perspectivas."
(V for Vendetta)


Esta é uma resenha que estava com certo receio de fazer. A história desta Graphic Novel é muita intensa e cheia de alegorias e a todo momento ficava pensando que poderia deixar algo importante de fora e, paralelamente, não queria que ficasse extensa demais. Espero que meus receios e temores tenham sido todos superados e que vocês apreciem a resenha desta que é a melhor Hq que já li.

V de Vingança é daquelas estórias que conseguem lhe absorver de um jeito que é quase impossível lê-la e não pensar sobre as implicações que a narrativa apresenta. Você pode ser à favor ou contra a tudo que foi apresentado aqui, mas, de forma alguma, irá passar por ela sem analisar muitas coisas que acontecem ao seu redor, desde o sistema politico e cultural e, acima de tudo, sobre você mesmo.

[RESENHA] CRIANÇA 44, de TOM ROB SMITH

Ano: 2008
Editora: Record
Páginas: 434
Nota: 5/5

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Criança 44, livro de estreia de Tom Rob Smith. O livro começa mostrando Liev Demidov, agente da MGB russa (espécie de policia secreta soviética), tendo de convencer uma senhora (esposa de um colega da MGB) que a morte de seu filho fora um acidente. As coisas começam a degringolar quando indícios de que, na verdade, o garoto fora assassinado de forma brutal vem à tona. 

Todas as verdades de Demidov são postas a prova e ele acaba se vendo diante das perseguições e terror do "Estado"  que ele sempre acreditou ser a verdade maior.

[RESENHA] O MÁGICO DE OZ, de L. FRANK BAUM

Ano de Lançamento: 1900
Editora: Leya
Páginas: 189
Nota: 5/5

      "Não importa o quão sombrio e seja sua casa, nós pessoas de carne e osso, preferimos viver lá a viver em qualquer país, por mais lindo que seja. Não há lugar como nosso lar."  

Eu, e imagino que muitas outras pessoas, conhecia a estória (ou, ao menos, algumas partes) do livro, sem, contudo, terem lido o livro. No meu caso específico, já havia visto o filme de 1939 em algumas das sessões de filmes da Tv aberta brasileira – Seção da Tarde, Cinema em Casa, ou algo do gênero. O livro, assim como o filme, é ótimo. Mas talvez, seja algo mais do que a história de uma garotinha perdida numa terra desconhecida, querendo voltar pra casa. 

O Livro começa mostrando Dorothy Gale, que mora no Kansas com seus tios e mais seu cãozinho, Totó. A paisagem do local é descrita como cinzenta – uma forma pra descrever a característica monótona, triste e opaca do lugar. Um belo dia, um tornado atinge a casa. Os tios de Dorothy haviam descido para o porão mas ela e Totó estavam na casa quando o tornado a levanta e joga-a para um outro lugar.

QUERIA UMA VIDA COM SENTIDO...



Queria uma vida com sentido.
Onde as coisas respeitassem a ordem de causa e efeito.
Onde o mocinho ficasse com a donzela no final.
Onde o medo fosse vencido pela bravura.
Onde as tardes fossem sempre de sol – 
uma chuva eventual seria boa.
Onde tudo fosse resolvido com um beijo.

[RESENHA] O ALICIADOR, de DONATO CARRISI

Ano de Lançamento: 2010
Editora: Record
Nota: 5/5

        Todo mundo tem um segredo (...) 
    Todo mundo enfia o dedo no nariz. Talvez quando não estiver ninguém olhando, mas todo mundo enfia. 

Um cão labrador sente um cheiro e passa a latir. Os investigadores sabiam que haviam encontrado algo. Começam e escavar e, pimba, lá estavam: seis braços. Aí, tudo se complicou ainda mais. Eram cinco meninas, entre 9 e 13 anos, desaparecidas (mortas) e todas com uma peculiaridade: o assassino amputava o braço esquerdo delas. Porém, havia um sexto braço. O Criminologista Goran Gavila agora tinha uma questão a mais: De quem era o sexto braço?

Chamada pra auxiliar nas investigações, Mila Vasquez, uma especialista em resolver sequestros percebe que há algo diferente relacionado a este 6 braço: a menina pode estar viva e agora eles estão na luta contra o tempo para encontrar o sequestrador antes que ele faça mais uma vitima.    

[RESENHA] O EXORCISTA, de WILLIAN PETER BLATTY




Tenho certeza que sempre que alguém pensa em filmes de terror, “O Exorcista” consta na lista dos melhores. Comigo não é diferente. Há alguns anos atrás quando descobri que a obra era baseada em um livro homônimo, criou-se um paradoxo na minha cabeça: queria mas não queria ler o livro. Normalmente os livros são mais assustadores que o filme e, como o filme já te deixa com medo até de olhar para o lado e ver algo, imaginava como não seria o livro. Ficava com misto de (medo) receio e vontade de ler. Já havia tentado umas duas ou três vezes, mas não conseguia ir até o fim. Desta vez fui. E digo que não sei ao certo qual dos dois (filme ou livro) me incutiu mais medo de dormir.

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"-Dizemos que o demônio não pode mudar a vontade da vítima.
- Sim, é isso mesmo. Sem pecado.
- Então, qual é o proposito da possessão? Qual é o sentido?
- Como saber? Quem pode saber? E ainda acho que o alvo do demônio não é o possuído. Somos nós... Que observamos... Todas as pessoas desta casa. E eu acho... Acredito que o objetivo é fazer com que nos desesperemos, que rejeitemos nossa humanidade: que vejamos a nós mesmos como bestas, maus e podres, deploráveis, horrorosos, indignos. E talvez aí esteja o cerne da questão: na indignidade. Porque eu acho que a crença em Deus não é uma questão de razão; acredito que é, no fundo, uma questão de amor: de aceitarmos a possibilidade de que Deus possa nos amar."
(Trecho diálogo entre padre Merrin e padre Karras)



Histórias de terror costumam dividir opiniões. Alguns adoram, alguns odeiam. Não são muitas as que conseguem unanimidade. Dentre essas, O Exorcista é uma que só a menção já provoca medo. Mesmo 43 anos depois de publicado, o livro consegue assustar e incutir horas de tensão, mesmo depois de terminado. 

Li uma vez em algum lugar que Willian Peter Blatty, no momento em que escrevia o livro, não tinha em mente produzir algo com a intenção de causar susto mas sim, escrever o relato de um clérigo que, com problemas de fé, tivesse problemas em aceitar que eventos psicológicos fossem vistos pela ótica da paranormalidade. Os sustos foram acidentais. Talvez seja um caso raro onde algo não intencional dentro literatura tenha dado tão certo. 

Depois do livro, temos o filme que teve o roteiro adaptado pelo próprio Blatty. Sendo assim, não temos um filme diferente do livro mas que na verdade se complementam. E ouso dizer que todos os filmes de possessão, depois de 1971, beberam um pouco da fonte de O Exorcista. 

O livro começa nos apresentando um padre, Merrin, num prólogo confuso e enigmático. No meio de escavações arqueológicas, o padre acaba encontrando uma figura de um demônio assírio, Pazuzu. Lembranças de terrores passados afloram na mente do reverendo que vê naquilo um presságio de que algo terrível está por vir. Algo que, cedo ou tarde, ele sabia que aconteceria. Foi como um lembrete de que a batalha dele contra o mal estava prestes a chegar ao fim.  
  
"Assim como o brilho breve dos raios de sol não é notado pelos olhos dos homens cegos, o começo do horror passou despercebido; com o guincho do que ocorreu em seguida, o inicio foi, na verdade, esquecido e talvez não relacionado de forma alguma  ao horror. Era difícil saber" 
Depois do prólogo somos apresentados a Chris McNeil, uma atriz consagrada, e sua filha de  doze anos, Regan. Apesar de problemas referentes ao passado, ambas vivem uma vida feliz e tranquila. Até que coisas estranhas começam a acontecer – batidas sem explicação no sótão, frio repentino no quarto, móveis que se movem sozinhos, mas nada poderia sugerir que as coisas iriam degringolar para o ponto aonde chegaram.  Talvez um fator possa ter desencadeado tudo isso. Talvez não. Difícil saber. Mas o fato é que as coisas foram acontecendo gradativamente. Não foi algo repentino, mas sim meticuloso e lento sendo mais difícil acreditar que tudo realmente está se passando e, principalmente, cria uma atmosfera sombria que segue o livro inteiro. Os limites da sanidade de Chris e de todos à sua volta são testados até o limiar do colapso. Tudo chegou até um ponto onde uma ateia, Chris, não podia mais olhar para o lado e fingir que nada estava acontecendo de errado com a filha que, sem saber como ou o quê, sentia que algo de muito ruim estava acontecendo com ela.


"O oculto é algo diferente. Eu me mantive longe disso. Acredito que mexer com ele pode ser perigoso. E isso inclui mexer num tabuleiro Ouija. (...) Em muitas histórias  que eu já ouvi sobre centros espíritas, todos eles parecem apontar para abertura de uma porta de algum tipo. Se eu estou certa, talvez a ponte entre os dois mundos seja o que você mesma acabou de mencionar, o subconsciente. Só sei que coisas parecem acontecer. E, minha querida, há hospícios no mundo todo repletos de pessoas que mexeram com o oculto."     (pág 82)

Paralelamente a história das McNeil, a vida do padre/psiquiatra Damien Karras é nos apresentada. Um jesuíta com problemas de fé que também tem problemas com o passado. É difícil observar o padre existente em Karras. O ceticismo e o racionalismo fazem com que o psiquiatra fique sempre a frente de tudo. Mesmo depois de tudo que vai acontecendo, a mente de Karras continua procurando explicações e, talvez desejando acreditar no Karras psiquiatra. Quase consegue fazer isso até o fim.

Daí em diante as coisas realmente começam a ficar perturbadoras. O embate entre bem e mal finalmente vai para seu duelo final. O ritmo dos acontecimentos é frenético e somos levados junto num turbilhão de imagens assustadores e dramáticas. Depois de chegar a aproximadamente metade do livro, é quase impossível largar a leitura. Ainda que o medo fique latejando como um machucado, a atmosfera sombria e o afã de descobrir o desenrolar da história, são mais fortes que o medo presente em cada página. Desta forma, não é incomum que susto, medo e, às vezes, um ar de quem tem alguém te observando sejam percebidos. 

O medo contido na obra é algo que lhe acompanha desde o inicio e fica pairando no ar um tempo depois de ler. É como se o autor tivesse remexido em algo assustador que paira nosso subconsciente e mesmo sabendo que é um livro e, crendo que aquilo dificilmente aconteceria (SERÁ???) no mundo real, uma parte da nossa mente fica totalmente absorta e assustada por aquela atmosfera.

O final do livro é simplesmente excepcional. Nos remete a algo que fica além do terror, além dos sustos, além do suspense. Acho que a mensagem mais forte que o livro passa é que o amor e superação podem (e devem) suplantar tudo e todos. Ainda que seja algo além da nossa compreensão e controle. Boa leitura!!!


[RESENHA] GEN PÉS DESCALÇOS, de
KEIJI NAKASAWA


Ano de Lançamento: 1973 - 1985

Editora: Conrad
Nota: 5/5*

"... 'Agora eu me tornei a Morte, o destruidor de mundos'¹. Acho que todos nós pensamos isso, de uma maneira ou de outra"
Robert Openheimer 

Hoje, dia 06/08/2015 é uma data histórica. Infelizmente por motivos ruins. Há exatos 70 anos, o homem viu um tipo diferente de arma ser usada. Algo que, imaginavam, seria devastador, mas não sabiam o quanto. A arma já havia sito testada, porém, não em uma cidade. Hiroshima (Japão) foi a cidade escolhida.