Balanço de leituras (fim de ano)



Olá pessoas!

Como de praxe, ao fim de cada ano, sempre temos a impressão de que o ano passou rápido demais. Num momento estamos no começo do ano com planos metas e projetos e no estante seguinte nos deparamos com o fim desse mesmo ano contabilizando tudo o que foi feito (ou que não feito) no decorrer desses 365 dias.

A bem da verdade, quando olho os inúmeros fatos que sucederam-se este ano, digo-vos que, da minha parte, achei que o ano foi bem longo, com determinados momentos ele se arrastando feito um caramujo. Se olharmos pra nossa politica e a profusão de escândalos que tomaram de assalto nossos noticiários, da uma impressão que décadas se passaram.

[RESENHA] Em busca de sentido, de Viktor E. Frankl


Qual seu objetivo ao levantar toda manhã e ir para o serviço e ter de aturar seu chefe burro, os amigos chatos e o salário miúdo? Que sentido há na sua existência em suportar um companheiro que no momento não lhe satisfaz? E, mais extremo ainda, se você se encontra com alguma debilidade extrema – doenças, dividas, ou alguma forma de transtorno – porque continuar seguindo o roteiro e continuar vivendo? Enfim, qual o sentido da sua vida? Baseado nas experiências que viveu in loco em Auschwitz, o psiquiatra Viktor E. Frankl narra toda sua odisseia de tristeza e miséria humana que culminaram na idealização e concepção de uma linha de psicoterapia, a Logoterapia, que busca o sentido da vida.

[RESENHA] Hell House - A Casa Infernal, de Richard Matheson



Histórias de casas mal-assombradas não são novidade na literatura. Hell House usa deste tema muito enraizado na cultura popular pra destilar o horror de forma ímpar. Desde o início é notável a áurea de mistério que habita aquele imóvel. Junte-se a isso um enredo que mescla o sobrenatural com o cientifico lembrando, em alguns momentos, o debate interno do Padre Merrin e sua busca por saber se a menina está possuída ou não e o uso de Aleister Crowley, um dos nomes mais importantes dentro do misticismo dos últimos tempos para usar como base para compor um vilão extremamente poderoso, doentio e sedento por sangue. O resultado só poderia ser ótimo. 

[LAPSOS] são possibilidades



Alguém que foi muito próximo a mim me perguntou a Éons atrás o seguinte: “Ricardo, você que é Ateu, o que é um erro, o que pensa sobre religião. Acha que é tudo mentira?”

Na época (isso faz uns dez anos) não soube responder a pergunta de forma satisfatória. Apesar de naquela época, ser um pseudoateu, alguns fenômenos me deixavam com uma sensação de que havia algo além de tudo isso. Na época estudei muito sobre o tema, mas ainda assim não cheguei à conclusão nenhuma.

[RESENHA] Coraline, de Neil Gaiman


Neil Gaiman é um dos grandes nomes da literatura fantástica da atualidade. Nos livros, ele repete o mesmo sucesso que conseguiu nas histórias em quadrinhos. O teor fantástico que, quase sempre, vem atrelado há uma mensagem mais profunda, o alavanca a um dos grandes expoentes da literatura. Em Coraline, vemos como uma garotinha inquieta encontra um mundo que parece ser tudo o que ela sonhou, porém, em uma olhada mais profunda, o que se descobre é que Coraline terá de usar de toda sua coragem e inteligência pra fugir de um mundo sombrio e ainda salvar a vida dos pais. Pode-se observar, nesta leitura, uma  metáfora de que somos afortunados por não termos tudo que desejamos.

[RESENHA - Conto] A História da Sua Vida, de Ted Chiang



Se você soubesse exatamente aquilo que vai ocorrer em todos os momentos de sua vida, não como uma probabilidade matemática, mas como uma certeza física, qual seria sua atitude? Iria ao local onde você sabidamente encontraria a pessoa que futuramente será o grande amor da sua vida e que será o motivo de sua maior tristeza? Assinaria aquele contrato de trabalho com aquela firma que não reconhecerá seus esforços mas que lhe ensinará muito sobre sua profissão e sobre sua vida? Em suma, seguiria todo o script da sua vida passando por todas as alegrias e tristezas inerentes a qualquer pessoa mas, que no seu caso, não seriam surpresas mas sim, a concretização de seu papel?

[MEMÓRIAS] ...é que o passado me traz uma lembrança!


Tudo sempre parece mais claro quando olhamos pra trás...



Não sei se é a idade chegando ou sei lá o quê - talvez a crise dos trinta anos, mas, ultimamente ando pensado muito na minha infância e início de adolescência. Mais precisamente naquela idade que não se é mais aquela criança ingênua, mas que ainda não é o adolescente revoltado com os pais, o governo e o universo. Uma fase da vida que ainda carrega em si um pouco daquela fantasia natural de mentes prodigiosas. É como se olhássemos para o tecido do espaço/tempo e não enxergássemos a ordem das coisas. Era tudo junto: era uma trama cósmica sem futuro, passado ou presente.  E, uma dessas nuances desta época que invade meus pensamentos e transborda o peito aqui, são das pessoas que partilharem este tempo com este vos escreve.

Antes de ler estes apontamentos, desça até o fim desta postagem e dê play na apoteótica música Poema, Ney Mato Grosso. Não, não é obrigatório mas eu gostei de ouvir a música  - repetidas vezes - enquanto escrevia esses apontamentos.

[RESENHA] Revival, de Stephen King

Ano de lançamento: 2014
Editora: Suma de Letras
Páginas: 376
Nota: 4/5




"Não está morto o que pode em eterno jazer/

Em estranhos éons, mesmo a morte pode morrer.

Isso me deu pesadelos. É sério!
(pág. 269) 

"Não consigo parar de ver os condenados.

A fila se estende ao infinito".
(pág. 267)


SINOPSE
Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.

[RESENHA] O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry

Ano de lançamento: 1943
Editora: Agir
Páginas: 96
Nota: 5/5
() Top


"Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem

com o coração. O Essencial é invisível aos olhos"
(pág. 70)

"É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros.

Se conseguir julgar a si mesmo,

provará que é um verdadeiro sábio.
(pág. 39)



SINOPSE:
O Pequeno Príncipe - Um piloto cai com seu avião no deserto e ali encontra uma criança loura e frágil. Ela diz ter vindo de um pequeno planeta distante. E ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam os seus valores e encontram o sentido da vida. Com essa história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, e só aparentemente infantil, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry criou há 70 anos um dos maiores clássicos da literatura universal. Não há adulto que não se comova ao se lembrar de quando o leu quando criança. Trata-se da maior obra existencialista do século XX, segundo Martin Heidegger. Livro mais traduzido da história, depois do Alcorão e da Bíblia, ele agora chega ao Brasil em nova edição, completa, com a tradução de Frei Betto e enriquecida com um caderno ilustrado sobre a obra e a curta e trágica vida do autor.

[RESENHA] Berlim 1945: A Queda, de Antony Beevor

Ano de lançamento: 2004
Editora: Record 
Páginas: 604
Nota: 5/5

"Caso a guerra seja perdida,o povo também estará perdido

[...] a nação provou ser fraca. 

Os que restarem  após a batalha serão inadequados

porque os bons estarão mortos"
(Adolf Hitler)



Sinopse:
O historiador britânico Antony Beevor narra a devastação provocada pela invasão alemã da União Soviética. Nesse livro ele conta como ocorreu a vingança, dois anos depois. Um dos atrativos dos livros de Beevor é sua capacidade de mesclar acontecimentos em vários níveis: do general comandando um exército ao soldado lidando com uma bota furada, dos líderes e estadistas traçando estratégias até as pessoas comuns tentando sobreviver.


[RESENHA] A Incendiária, de Stephen King

Ano de lançamento: 198o
Editora: Círculo do Livro
Páginas: 433
Nota: 4/5

"E ela gostara daquilo. Era isso, esse era o problema.

[...] quanto mais fazia, mais podia sentir aquela coisa viva

tornar-se cada vez mais forte"
(pág. 256)

"Existem forças neste universo que ainda não conhecemos,

e alguma só podemos observar a uma distância de anos-luz

...e dar um suspiro de alívio graças a isso"
(pág. 334)



Sinopse
Andy McGee e sua esposa Vicky foram usados numa experiência secreta enquanto eram adolescentes. Eles acabaram se casando e tendo uma filhinha, Charlene "Charlie" McGee. A menina acabou herdando os genes modificados dos pais, e nasceu com o dom da pirocinesia, que significa que ela pode atear fogo em tudo que quiser.

[MEMÓRIAS] Lembranças da minha infância


Obs.:antes de ler este texto, desça até o final do texto e dê play na música. 

Lembro que quando era criança – parafraseando meu pai, “um peãozinho sem CPF” – uma das coisas que mais me alegrava no natal, não era o fato de estar de férias das escolas  e poder assistir televisão até tarde, ou o fato de nossa casa estar lotada de gente e minha mãe não notar a as travessuras que eu fazia: eram os brinquedos. Não necessariamente os brinquedos, mas sim a forma como recebia o brinquedo. Meus pais, que por uma questão totalmente insana, sempre acordavam cedo e, aproveitando que eu e meus irmãos teríamos ainda algumas horas de sono, aproveitavam para (calma, não é isso que você está pensando) esconder pela casa os brinquedos que haviam comprado para nos presentear. Quando acordávamos, minha mãe fazia cara de que nada de diferente estava acontecendo e, sabíamos que ele havia deixado algum regalo pra cada um de nós em algum canto escondido da casa.

[RESENHA] Rose Madder, de STEPHEN KING

Ano de lançamento: 1995
Editora: SUMA de Letras
Páginas: 478
Nota: 5/5


"Rosie teve tempo de se perguntar [...]

por que tantos homens eram maus.

O que havia de errado com eles? 
*************                       
"Sou realmente Rosie, e Rosie muito real"


Sinopse:
No dia que em saiu de casa, dando fim a um casamento de 14 anos, Rosie Daniels sabia que não seria nada fácil escapar do marido, o violento Norman Daniels. Mas, depois de 14 anos de torturas diárias e violências sexuais, Rose sabia que não teria mais nada a perder. Ao fugir, levando apenas o cartão de banco do marido, Rose tem certeza de que está entrando numa guerra sangrenta - cujo final pode ser fatal

[RESENHA] O Escaravelho do Diabo, de LÚCIA MACHADO DE ALMEIDA

Ano de lançamento: 1953
Editora: ÁTICA
Páginas: 128
Nota: 5/5



"não venha me dizer que se um homem caridoso

viesse a ser assassinado, Deus teria permitido isso

a fim de beneficiar a alma de fulano e sicrano...

Era o que faltava"
(página 54)



Não sei como funciona para a maioria dos leitores, mas comigo, só fui pegar gosto pela leitura quando já tinha meus 17 anos. Me era muito caro digerir aquelas leituras recomendadas pelos professores. Um dia, eis que sou afortunado por esse livro que abriu horizontes inimagináveis pra mim fazendo que esta história, de um serial killer de ruivos, me tornasse um amante dos livros. E, agora, compartilho com vocês, treze anos depois da primeira leitura, minhas impressões sobre esta grande obra. 

[MEMÓRIAS] Em Meus Sonhos


Estou andando pelo centro de Foz do Iguaçu (a geografia e a paisagem não são de Foz do Iguaçu mas SEI que é Foz) com uma senhora do meu lado. Não consigo ver o rosto da mulher porque ela irradia uma luz branca muito forte que me impede de ver sua fisionomia. Apesar disso, o brilho que ela emana transmite uma paz muito grande. 

Depois de caminharmos um longo trecho chegamos a um parque de diversões. Neste momento fico com medo. Não quero entrar lá. Sinto uma energia negativa muito forte vindo do parque mas a mulher que está comigo direciona um pouco da luz que ela emana e meu medo atenua-se. Olho pra céu e reparo que Órion está brilhando muito forte. Outra coisa que chama atenção é que na ponta onde estaria uma das mãos de Órion, ele tem uma carta de baralho nas mãos. A mulher que está do meu lado me chama (por outro nome do qual, não me lembro) e aponta para que eu entre no parque.

[RESENHA] Joyland, de STEPHEN KING

Ano de lançamento: 2013
Editora: SUMA de Letras
Páginas: 240
Nota: 5/5
() Top


"...alguns dias são preciosos. [...] Aquele

foi um dos meus, e, quando estou triste [...]

e tudo parece frio e sem graça, eu volto a ele

[...] ao menos pra lembrar que a vida

nem sempre arranca o nosso couro.

Às vezes, ele oferece verdadeiros prêmios."


Sempre que o nome Stephen King aparece como autor de algum livro, a primeira coisa que vem à mente é o terror, o sobrenatural que faz com que o leitor tenha medo de virar a próxima página e descobrir que aquilo que irá ler, tornará sua noite de sono um pouco difícil. Em Joyland, isso não acontece. O que vemos nesta obra é uma história de amadurecimento, de esperança, de amor perdido, de nostalgia e de sonhos renovados. É uma história que, apesar de curta e simples, traz em si a grandeza de entristecer e emocionar. Claro, se tratando de Stephen King, o sobrenatural está presente, mas apenas como um pano de fundo pra algo muito maior que é a vida de uma pessoa. 

...porque você não aproveita? Não sei.


É difícil saber onde tudo deu errado.
A esperança sempre fora tão forte.
Aquela criança cresceu e viu seus sonhos virarem fumaça!
Tudo parecia estar ao alcance das mãos e, a qualquer instante, seria possível tocar o céu.
Mas alguma coisa aqui deu errado. Muito errado.
Uma conversa com alguém pra reconfortar já não é mais um opção.
Percebo que aquela criança que fui um dia, tão alegre e feliz, jaz num passado quase extinto.
Saber que as coisas podem melhorar pouco adianta.
Aqui e agora, a dor é muito forte que seria melhor que não existisse amanhã.
Aí, você pode pensar: mas você foi um fraco!
E talvez você tenha razão. Não te culpo.
Mas, cansei disso tudo, entende?
Aquela criança cresceu e viu seus sonhos virarem fumaça!
É notável como algumas pessoas livram-se de seus problemas.
Jogam tudo nas mãos de Deus e esperam por sua providência.
No meu caso, bro, deus é uma figura que há tempos desceu do Olimpo.
Vocês se alegram com seus cafés e suas músicas e perguntam-me:
"Porque não aproveita também?"  Não sei!
Aos meu olhos, se for pra viver nesta febre, prefiro antes, sem um Lobo da Estepe.
Quando penso que aquela rosa destruiu tudo e alguns ficaram felizes,
Vejo que estamos num abismo de escuridão e, ainda, damos graças a isso
Aquela kind teve seu ursinho dilacerado junto com sua inocência,
soube que neste instante, aqui já não era um local sadio pra pessoas como nós (eu?) ficar.
E, ainda tem o menino com água sobre a cabeça que só virou gente, depois que seu corpo "descansou" na beira da praia.  
Mas não chorem: pra vocês ainda existe esperança.
Pra mim, não mais!
Aquela criança cresceu e viu seus sonhos virarem fumaça!
Tem horas que tenho lampejos de esperanças.
São alguns sinais que me impelem a repensar.
Porém, logo tudo evapora no ar e sobra aquele mesmo vazio,
Sei lá, mas caso eu siga adiante, a dor irá desaparecer...
Esse navio loucamente à deriva não é mais pra mim. Não, meu chapa!
Deixo as coisas pra vocês.
Quem sabe se sairão melhor do que eu e, no futuro
Recordarão deste que passou por aqui e, cansado, resolveu dar tchau.
Até tenho um pouquinho de luz aqui dentro, sabe?
É meio opaca mas daria para, quem sabe, continuar. Mas...
...aquela criança cresceu e viu seus sonhos virarem fumaça.

[RESENHA] A Origem do Estado Islâmico, de PATRICK COCKBURN

Ano de lançamento: 2015
Editora: Autonomia Literária
Páginas: 208
Nota: 5/5




"Matai-os onde quer que os encontreis

e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque

a perseguição é mais grave que o homicídio. E combatei

até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Alá"
(Trecho do Corão)


Logo após a morte do terrorista mais famoso dos últimos tempos em 2012, Osama Bin Laden, uma falsa ideia de que o terrorismo enfraquecia pairou sobre a cabeça de muitas pessoas que horrorizam-se com o atentado às torres gêmeas (World Trade Center) em setembro de 2001. O que poucos imaginavam é que os esforços para neutralizar e destruir a maior rede terrorista de então, Al Qaeda, seriam as sementes que germinaram algo muito maior e sombrio do que a organização do saudita: o O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS). A rede criada pelo iraquiano Abu Bakr al-Baghdadi deu uma mostra ao ocidente, através do ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, daquilo que vêm fazendo no oriente médio com muita destreza. Seu lema de morte à todos aqueles que não compartilham de seus valores, até mesmo outros muçulmanos de vertentes distintas, já mostrou que não há fronteiras para a vilania de seus membros. Entender como funciona e foi criada esta organização é essencial para neutralizar (TENTAR) a rede terrorista. E Patrick Cockburn fez muito bem.

... mãe, está tudo bem!



Você dá voltas e não sabe onde chegar.
Parece que não há ninguém lá.
É só mais um mundo vazio cheio de gente.
O reflexo no espelho parece confuso e estranho:
              será mesmo que há alguém do outro lado?
                               ou será só um amontoado de coisas oblíquas que parecem ter vida?
São muitas as trevas escondidas atrás de estrelas.
Vc consegue enxergà-las?
Ou só percebe aquilo que os olhos vêm?
Confuso e estranho é o  nosso mundo.
Sorriso, lágrimas, dor...
               ...vem tudo na mesma embalagem,
Não dá pra separar cada qual em sua órbita.
Então, o que saber o que é certo?
O limite pode ser traçado,
                mas é difícil achar o ponto entre a felicidade e a loucura;
                               entre a depressão e a reclusão.
Mas está tudo bem, obrigado por perguntar!
A cada primavera, mais e mais flores nascem
                e muitas outras morrem.
Como não ficar bem?
A mala que traz no braço a multidão que nem percebe
                  que nesse casamento, ela - a multidão - é que é o acessório,
                                virando um enfeite descartável como o final do feixe de luz vermelho.
Mas, assim, tudo bem: a luz continua acesa.
Qualquer coisa deixe que aquela velha e boa caricatura
                   - que é o reflexo no espelho - tome conta.
Só cuide para que você não vire o reflexo.

(mas mãe, está tudo bem. Obrigado)

[RESENHA] O Xangô de Baker Street, de Jô Soares

Ano de lançamento: 1995
Editora: Penguin Companhia
Páginas: 352
Nota: 4/5




"No meio de várias ilhas , a designação formosa

servia as mil maravilhas, pensava Paulo Barbosa.

E se o nome vem do grego, no fundo isso pouco importa.

O monarca tem apego, por essa língua já morta."
********                                 
                               
"Elementar, meu caro Watson"



Jô Soares construiu uma carreira sólida no teatro e na televisão por conta de seu conhecimento vasto sobre diversos assuntos e, principalmente, seu senso de humor apurado. Foram muitos os personagens criados por ele que divertiram e alegraram muitas pessoas num passado não muito distante. Natural que quando se aventurasse pela literatura, ele levasse toda essa gama de habilidades para as páginas. Mesclando enredo policial, humor, personagens fictícios e reais, e muito conhecimento sobre o Rio de Janeiro imperial, O Xangô de Baker Street, apesar de alguns excessos, é um livro que mostra o talento de Jô de forma bem pontual.

Kategori

Kategori