[RESENHA] A Batalha de Moscou, de Andrew Nagorski

Ano de Lançamento: 2013
Editora: Contexto
Páginas: 352
Nota: 5/5


"...vou arrasar aquela cidade maldita [...].

O nome Moscou vai desaparecer pra sempre"
(Adolf Hitler)

"Todos os locais habitados [ao redor de Moscou]...

devem ser destruídos e reduzidos as cinzas"
(Josef Stalin)


Apesar de não muito conhecida, a Batalha de Moscou foi a batalha mais sangrenta da Segunda Grande Guerra. Colocando de lados opostos dois dos tiranos mais sombrios da história, o conflito mostrou que Hitler e Stalin, tinham um apreço mínimo pela vida e, acima de tudo, como megalomaníacos e estúpidos que eram,  tinham uma dificuldade faraônica de ouvir quem quer que seja – incluindo seus generais – além de seus próprios desejos. O jornalista Andrew Nagorski consegue mostrar os horrores e erros desta batalha de forma simples, instrutiva e direta.


Para quem acompanhava as alianças militares no inicio do conflito, era difícil imaginar que Alemanha e URSS entrariam em conflito. Ao menos naquela faze inicial da Guerra. Além de serem tiranos muitos semelhantes, após o tratado Ribbentrop-Molotov, as duas nações eram, na prática, parceiros no conflito. Invadiram em parceria a Polônia, já tinham feito um acordo que redefiniria as fronteiras da Europa ficando cada um com uma área de influência. Inclusive, Stalin, passando sobre os protestos de seus generais e secretários do partido, enviava insumos vitais para que a Alemanha assombrasse a Europa Ocidental  - mantimentos estes que ironicamente, seriam usados depois por Hitler para invadir os territórios soviéticos.

 Mas, o cenário mudou quando Hitler, não ouvindo os conselhos de seus generais, decidiu quebrar o pacto de não agressão e invadir a URSS.

De inicio, as rápidas vitórias do Terceiro Reich davam a impressão de que a Alemanha em poucas semanas ou meses chegaria a Moscou e colapsaria o governo comunista. Mas, assim como Napoleão, Hitler descobriu que conquistar o vasto território russo é uma tarefa extremamente difícil.

O livro nos mostra como foi o conflito: o rápido avanço Nazista que parecia invencível; o desespero de Stalin que ficou três dias trancado num Banker sem saber o que fazer; do sofrimento do povo soviético que viu que suas esperanças de serem salvos dos horrores de Stalin pelos Alemães era pura ilusão, uma vez que Hitler era tão impiedoso quanto o lóder bolchevique; que Hitler e Stalin cometeram vários erros em não ouvir seus generais – principalmente Guderin do lado Nazista e Zhukov do lado Vermelho; como o erro de Hitler de crer que venceria a batalha de forma rápida custou caro para o Terceiro Reich que não estava preparado para o inverno Russo; como Stalin não hesitava em mandar milhares de soldados desarmados para o front para morrerem e que quem se rendesse era considerado traidor e fuzilado automaticamente; e como a batalha foi decisiva no restante do conflito.

Ao final da leitura, notamos que o atraso de Hitler em atacar a União Soviética bem como sua ideia de interromper a ofensiva até Moscou pra conquistar Stalingrado e Kiev, levou seu exército a ter de lutar nos períodos de chuva e neve ao qual não estava preparado e que este atraso permitiu que Stalin preparasse seu exército para o conflito e saísse vitorioso. Mas essa vitória saiu cara para o povo russo. Estima-se que 8,6 milhões de russos morreram neste conflito. Um número infinitamente maior que as baixas nazistas. Para Stalin, totalmente avesso ao sentimento humano, é claro, foram baixas sem importância.       

Boa leitura.


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