[RESENHA] O Desfiladeiro do Medo, de Clive Barker

Ano de lançamento: 2002
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 700
Nota: 5/5
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"Um monstro jaz a espreita dentro de mim

uma confusão de feridas e penúria,

porém mais furioso em vida e poder,

o eu que jaz a espreita dentro dele."
(Clive Barker)


De forma meio que constante, tenho por hábito reler alguns livros que achei extremamente bons. O Desfiladeiro do Medo foi o primeiro - e até agora único - livro que li de Clive Barker. Sem sombra de dúvidas, é um dos melhores livros do gênero que li. Tanto o enredo como as descrições são fantásticas. Tão bom que li ele ano retrasado e já reli agora. Chega de delongas e vamos lá. 


SINOPSE: O Desfiladeiro do Medo é um livro sem paralelo: uma descrição implacável e irresistível de Hollywood e seus demônios, contada com um estilo cru e o poder narrativo que transformaram os livros e filmes de Clive Barker em fenômenos mundiais.

Hollywood transformou Todd Pickett em um astro. O tempo, porém, está lhe cobrando um preço por isso. Ele não tem mais o rosto perfeito do ano anterior. Após uma cirurgia malfeita, Todd precisa de um lugar onde possa esconder-se durante algum tempo, enquanto as cicatrizes desaparecem. Querendo ser momentaneamente esquecido instala-se em uma mansão no Coldheart Canyon, um recanto da cidade tão secreto, que sequer consta nos mapas.

Tammy Lauper, presidente de seu fã-clube, chega à cidade de Los Angeles decidida a solucionar o mistério do desaparecimento de Todd.

Lá chegando, descobre segredos a respeito do Coldheart Canyon: os espíritos da "Lista A" dos astros e estrelas falecidos de Hollywood que vieram participar de orgias no canyon...

RESENHANDO: Este é um livro que de forma alguma é recomendado pra todos. E não me refiro somente a classificação etária. Clive Barker usa sua imaginação pra desfilar do terror ao drama, do suspense ao erotismo. E tudo isso regado a uma reflexão muito grande sobre os valores da nossa sociedade.

Na obra somos apresentados há uma Hollywood gloriosa e nefasta. Astros que – na vida real – somos fãs incondicionais, mas aqui, são pessoas extremamente poderosas, talentosas e podres. A busca implacável pelo sucesso faz com os “astros” fiquem míopes a todo resto focando-se apenas em ser aquele que irá estampar a próxima capa da Vanity Fair.

Sem muitos preâmbulos e rodeios, Clive trás um lado humano e negro das celebridades que parece até difícil de acreditar que possa existir seres assim na vida real. O cisma com uma aparência perfeita, um sorriso angelical e o ar de superioridade faz com os astros – nesta busca Samsarica – almejem estarem sempre entre os mais dos mais.

Saindo um pouco desse lado mais psicológico do livro e voltando a atenção para o lado sobrenatural, as criaturas criadas por Clive nesta obra mostram porque o Mestre do Terror, Sephen King, disse que “Eu vi o futuro do Horror… E seu nome é Clive Barker”.

São seres assombrosos e assombrados que fazem com que o leitor fique com medo de colocar os pés no chão, com medo que um desses seres ignóbeis agarrem seu pé e te puxem pra debaixo da cama pra um mundo onde só lágrimas e dor tem espaço. O clima te tensão é permanente e a cada página virada um assombro diferente nos espera.

E o que falar do erotismo. Se você leu 50 Tons de Cinza e achou que em algum ponto as coisas foram muito além, em Desfiladeiro do Medo, Clive Barker vai muito mais fundo. Ele evoca um instinto lascivo que trás sentimentos ambíguos de prazer e repulsa; desejo e negação de uma forma que poucas vezes vi na literatura.

Fantasmas do passado e do presente se juntam no Desfiladeiro do Medo sempre em busca de mais um pouco do “ópio” que eles, enquanto em vida, usavam e desfilavam pelos bastidores e holofotes da fama.

E quando parece que tudo está perdido, que não tem mais volta pra quem escolheu este caminho, Clive nos surpreende mais uma vez mostrando que mesmo num lugar assim, é possível se encontrar a redenção.

Livro recomendadíssimo, acima de tudo, pra quem tem estômago e não se choca facilmente.


Boa leitura.

4 COMENTÁRIOS

Ei Ricardo,

Quando vc citou o livro no VL, achei que era do King também, até pelo título rsrs. Não conhecia o livro, não sei se é para mim. Pq adoro King, mas os de suspense, ainda não encarei nenhum do autor de terror, sou medrosa hehe.
abs

Oie.

Pois então. Depois que postei comentário, percebi que esqueci de por o autor, haha.
Eu adoro os livros de King - tantos os de terror quanto os outros. Qto ao seu medo, deixe as luzes acesas e as potas trancadas. Valerá muito à pena.
Abraços.

Instantaneamente se tornou meu livro favorito e me pego imaginando porque Hollywood não tornou essa obra fantástica num filme... Livro extraordinário com um final que me deixou com um gostinho de quero mais! Infelizmente, mais de 15 anos já se passaram e Barker nunca disse mais nada sobre este livro inesquecível. Meu sonho por uma sequência permanecerá, portanto, apenas um sonho. Que pena. Pois o Canyon ainda está em minha mente e depois de descobri-lo, creio que sempre estará. Livro mais que obrigatório para quem adora uma obra que te deixa pensando nela por dias, semanas, meses... Passou batido no Brasil infelizmente e é um tesouro subestimado.

E aí Lucas, beleza?
Pois é! Livro realmente muito bom e que não é muito conhecido. e confesso que não consigo imaginar o porque deste quase ostracismo...
Abraços.


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