[RESENHA] O Clube do Fogo do Inferno,
de Peter Straub

Ano de lançamento: 1996 
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 602
Nota: 5/5



"A diferença entre nós dois é que,

quando você chama alguém de louco,

acha que é um insulto,

ao passo que eu encaro isso como um elogio"

Peter Straub é mais conhecido aqui no Brasil por suas parcerias com Stephen King nos livros O Talismã e A Casa Negra, o que é uma pena. Este é o segundo livro que leio dele e é inegável o talento do autor pra criar tramas intrincadas, difíceis de desvendar e que nos brindam com um final surpreendente.

Pode se dizer que O Clube do Fogo do Inferno tem algumas subtramas dentro da narrativa, sendo que as principais giram em torno de Nora e Davey Chanel, um casal de meia idade em vias de desquitarem-se; e do livro Jornada da Noite, um romance escrito por um autor até então desconhecido, Hugo Driver, que trouxe fama e dinheiro para o mesmo e para o seu editor – o avô de Davey Chanel – e que agora tem sua autoria contestada; misturado a tudo isso temos a trajetória de um serial Killer, Dick Dart que assombra a vida dos moradores do bairro.

Como disse no inicio, os livros de Straub possuem tramas intricadas e muito ricas. Assim, começo a resenha falando sobre o Clube que dá título ao livro.

Clube do Fogo do Inferno, ou Hellfire Club, segundo a Wiki, foi um clube de muito sucesso na Grã-Bretanha do séc. XVIII, onde ilustres pessoas da época se encontravam para beber, se esbaldar em orgias sexuais e, segundo alguns relatos de pouco credibilidade, rituais satânicos. No livro, é um clube onde jovens ricos provenientes de diversas universidades se encontram pra realizar basicamente o que seu fundadores faziam. No livro, é ali que a primeira grande explicação sobre o livro Jornada da Noite de Hugo Driver é feita bem como o fascínio que o livro provocou e provoca nas pessoas.

Davey Chanel é uma dessas pessoas que o livro fascina. Quando a morte das várias mulheres começam a ocorrer, sua esposa, Nora, sente-se mais insegura ainda o que agrava mais ainda a situação de seu casamento. Nora acaba por saber que o marido frequentou o Clube e  algumas histórias desse Clube serviram de insights para a nossa heroína no que diz respeito ao passado de Davey e a verdadeira história por trás do livro a Jornada da Noite.

Fique calmo, nobre leitor. Davey não é o assassino, pois o mesmo entra em cena no meio da narrativa, e fará sua mente dar um loopen.

Dick Dart, um advogado meia boca talvez seja um dos maiores serial killers da história. Louco, inteligente, manipulador  e que tem um objetivo muito claro e sabe o que fazer para alcançá-lo. O embate de Nora pra se livrar de Dick e, paralelamente, descobrir os segredos por trás de Jornada da Noite é que são o ponto central do livro. É importante ter em mente o contexto no qual Nora se encontra pra entender seus passos e suas atitudes pra não cair no risco de crer que ela foi tola.
Talvez o inicio do livro seja meio arrastado, mas Straub faz questão de apresentar todos os ingredientes antes de desenvolver toda sua obra. Cheio de reviravoltas e revelações, este é um livro que imprime um ritmo ligeiro mas, que não peca por ser descartável após a leitura. A descrição da violência é muito forte mas, em momento algum serve como passagem barata com o único intuito chocar o público. Elas tem um propósito, assim como a sexualidade presente na obra.
Confesso que escolhi o livro porque pensei se tratar de algo sobrenatural – haja vista o outro livro do autor que li, Os Mortos Vivos e pelo título. Claro que essa primeira expectativa não trouxe nenhuma negatividade com relação a obra.
Peter Straub é um autor dinâmico e muito talentoso que merece ter um reconhecimento muito maior do que tem por essas bandas. O Clube do Fogo do Inferno, um suspense deveras extraordinário, é uma boa prova disso.
Boa leitura.


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