[RESENHA] A Incendiária, de Stephen King

Ano de lançamento: 198o
Editora: Círculo do Livro
Páginas: 433
Nota: 4/5

"E ela gostara daquilo. Era isso, esse era o problema.

[...] quanto mais fazia, mais podia sentir aquela coisa viva

tornar-se cada vez mais forte"
(pág. 256)

"Existem forças neste universo que ainda não conhecemos,

e alguma só podemos observar a uma distância de anos-luz

...e dar um suspiro de alívio graças a isso"
(pág. 334)



Sinopse
Andy McGee e sua esposa Vicky foram usados numa experiência secreta enquanto eram adolescentes. Eles acabaram se casando e tendo uma filhinha, Charlene "Charlie" McGee. A menina acabou herdando os genes modificados dos pais, e nasceu com o dom da pirocinesia, que significa que ela pode atear fogo em tudo que quiser.


Resenhando

O governo americano, em épocas de guerra fria, estava obcecado por encontrar um medicamento que conseguisse aumentar a capacidade física e mental de seus soldados e que pudesse ser usado como soro da verdade em interrogatórios de inimigos. Sob a luz deste paradigma, muitos são os relatos de experimentos em humanos com drogas alucinógenas que visavam esses fins. É sobre esse pano de fundo que Stephen King escreveu o romance A Incendiária.

Desde o inicio do livro, é possível notar que a vida de Andy McGee e sua filha, Charlie, serão pautadas pela busca de algum refúgio longe das garras da Oficina – organização governamental que, anos atrás, conduziu experimento com medicamentos como os citados no primeiro parágrafo.

A vida de Andy começou a descer para o abismo quando ele, em busca de alguns trocados, resolveu participar de um desses experimentos com alucinógenos. Lá, ele conheceu o que seria sua esposa e futura mãe de sua filha, Vicky, e também, acabou desenvolvendo um capacidade telepática – assim como Vicky. A mescla de gametas de ambos gerou uma filha com uma capacidade fantástica: pirocinesia. Charlie era capaz de incendiar qualquer coisa com o poder da mente. Claro, o governo sabia que uma “arma” como essa seria de importância estratégica sem igual e não mediu esforços pra tê-la sobre seus auspícios. É, na fuga de Andy e Charlie e como a menina vai aprendendo a controlar este poder que consiste o livro.

O prolixismo de Stephen King talvez seja sua maior característica como escritor. Mais importante até do que o viés sobrenatural. Muitos de seus livros não contam com monstros, passagens para outras dimensões ou poderes mentais, mas quase todos usam e abusam de um detalhismo que pode cansar o leitor e tornar a escrita enfadonha. Mesmo assim, é inegável salientar que o poder que o excesso de descrição das escolhas e pensamentos dos personagens tem um efeito forte sobre nós: a capacidade de nos importarmos ou odiarmos os personagens. A história é tão bem contada que a impressão que temos é que conhecemos cada um dos personagem como se fossem nossos amigos ou desafetos. Torcemos por eles ou vibramos quando um ou outro morre.

N’A Incendiária, não foi diferente. Acompanhar todo o sofrimento de Andy e sua filha na busca de se verem livre da garras do governo chega a ser angustiante como ter de tirar um prego encravado na própria carne. Somado a isso, temos de equacionar  o fato de Andy ser meio ingênuo e ainda ter de manter as forças erigidas mesmo com tudo de vil e catastrófico pelo que passou sabendo que, não só sua vida mas a de sua filha dependem dele.

A Incendiária está longe de ser um dos melhores trabalhos de King, porém  figura muito acima dos livros do gênero. Ao final do livro, há um sentimento de injustiça mesclado com esperança que faz levar o livro consigo um pouco além do ponto final. E isso, talvez seja o que de melhor a literatura pode proporcionar.

Boa leitura. 


EmoticonEmoticon