[RESENHA] Berlim 1945: A Queda, de Antony Beevor

Ano de lançamento: 2004
Editora: Record 
Páginas: 604
Nota: 5/5

"Caso a guerra seja perdida,o povo também estará perdido

[...] a nação provou ser fraca. 

Os que restarem  após a batalha serão inadequados

porque os bons estarão mortos"
(Adolf Hitler)



Sinopse:
O historiador britânico Antony Beevor narra a devastação provocada pela invasão alemã da União Soviética. Nesse livro ele conta como ocorreu a vingança, dois anos depois. Um dos atrativos dos livros de Beevor é sua capacidade de mesclar acontecimentos em vários níveis: do general comandando um exército ao soldado lidando com uma bota furada, dos líderes e estadistas traçando estratégias até as pessoas comuns tentando sobreviver.



Resenhando:
Quando Hitler decidiu romper o Pacto de Não Agressão que havia assumido com Stalin, muitos especulavam que, para o bem ou para o mal, ali seria decidido os rumos da guerra. Após uma invasão alucinante, extremamente violenta e sangrenta, o terceiro reich alimentava uma certeza religiosa de que rapidamente derrotariam os soviéticos. Todavia, os alemães perceberam que não seria fácil derrubar o exército vermelho e passaram de atacantes a atacados. Neste ponto, os alemães descobriram que tudo aquilo que haviam feito no território soviético (pilhagem, execuções, estupros e toda sorte de vilania) seriam cobrados com muito ódio e rancor.

É essa etapa da guerra, a invasão russa no território alemão, que o ex-tenente e historiador Antony Beevor narra nesta obra fantástica.

Recentemente, li um livro que trata sobre a invasão alemã ao território russo (leia sobre isso AQUI ), e foi angustiante ver como as coisas ocorreram. Hitler alimentava um ódio cabal ao povo eslavo e transferiu esse asco aos seus soldados. Uma vez que passou a ofensiva, o exército vermelho não se permitiu ser menos cruel que o terceiro Reich. Antony Beevor nos apresenta como foi a vida naquele período. Desde a vida do soldado no front de batalha, dos generais decidindo o rumo das batalhas e das pessoas comuns que se viam desesperadas tentando sobreviver a mais um dia.

Muito do que é relatado aqui já é bem conhecido por inúmeros livros, documentário e relatos sobre o tema. O que pode-se destacar nesta obra são: a riqueza de detalhes do cotidiano do cidadão comum; as intempéries dos soldados e suas glórias; a destruição e ausência de piedade por parte dos soldados.

Enquanto Hitler se fechava mais e mais em sua paranoia causando percas irreparáveis à uma Alemanha à beira do colapso, Stalin seguia firme na sua saga de destruir o rival, além de conseguir dobrar os governantes ocidentais à sua vontade – talvez a exceção seja Churchill que, assim como havia previsto o que Hitler se tornaria anos antes, sempre manteve um pé atrás com Stalin.

Mas, de longe, o que mais causa desconforto a estarrecimento com os relatos presentes no livro, são a quantidade de estupros e vilanias cometidas pelo exército vermelho.

Quando da invasão alemã sobre a Rússia, os soldados do terceiro reich não se fizeram de rogados em aterrorizar a população. Tendo isso como combustível, os soldados de Stalin cometiam estupros coletivos de forma extremamente natural. Era o revanchismo, diziam eles. Mulher de 10 aos 70 anos não eram poupadas sendo violentadas diversas vezes. Há casos de mais de vinte soldados se revezando em violentar uma mesma mulher. Muitas ainda tinham de conviver com as doenças venéreas contraídas, filhos indesejados e a repulsa de maridos ou namorados que às julgavam culpadas pelo que ocorreu. Antony Beevor trás isso à tona sem amenizar nada. É triste notar o que pode se tornar o ser humano em situações extremas.

Nos últimos capítulos, vemos como Stalin consolidou seu poder na URSS, inclusive, perseguindo seus generais mais destacados na guerra – em especial o general Zukov – pra evitar de que alguém lhe roubasse os louros pela vitória.

Apesar de ser meio maçante em alguns momentos, principalmente nas descrições das manobras e táticas de batalha, o livro é muito bom. Se você tenciona aprofundar-se neste período escuro da humanidade, é um livro mais do que indicado. É um belo exemplo de como uma guerra pode ser devastadora para seu povo e só aqueles que ficam livres em seus bankers é que realmente ganham com ela.


Boa leitura.


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